O Boletim Focus desta segunda-feira traz um quadro conhecido, mas pouco confortável: preços mais pressionados e economia desacelerando.
A projeção do mercado para o IPCA de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, a terceira alta semanal seguida. O número está 0,51 ponto percentual acima do teto da meta, de 4,5%. Para o curto prazo, o mercado espera IPCA de 0,60% em setembro, contra 0,56% na semana anterior, e de 0,32% em outubro. Ou seja, o dado de setembro deve vir mais salgado do que se pensava.
No crescimento, o movimento é inverso. A projeção do PIB de 2026 caiu de 1,86% para 1,85%, a quarta redução consecutiva. A queda é pequena, mas a direção é persistente: os analistas vêm revisando o crescimento para baixo semana após semana.
Nos juros, não houve mudança. A Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado projeta 13,50% ao fim de 2026, o mesmo patamar da semana anterior. Isso sugere, no máximo, um corte modesto até dezembro. Com a inflação esperada acima do teto, o Banco Central tem pouco espaço para afrouxar a política monetária mais rapidamente.
O que isso significa
A combinação de inflação rebelde e atividade fraca é o cenário mais desconfortável para um banco central. Juros altos são o remédio para conter preços, mas pesam sobre o crédito, o investimento e o consumo. Enquanto as expectativas de inflação continuarem subindo, a Selic tende a permanecer elevada por mais tempo, e isso limita a recuperação do PIB.
Vale lembrar que o Focus é a mediana das apostas de analistas, não uma previsão oficial. Ele importa porque as expectativas influenciam preços, salários e contratos, e é com base nelas que o Copom calibra suas decisões.
Em resumo, o mercado não enxerga ruptura, mas o balanço de riscos segue inclinado para inflação mais alta e crescimento mais baixo. O próximo teste será o IPCA de setembro.