O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com o que os analistas esperam para a economia, saiu hoje, terça-feira, e não na segunda, por causa do feriado. A principal mudança foi na inflação. A previsão do mercado para o IPCA de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%. É a quarta alta seguida e o número está acima do teto da meta, de 4,5%. Isso significa que o custo de vida deve fechar o ano mais pesado do que se imaginava. Segundo a Empiricus, o dado de setembro surpreendeu negativamente, o que ajuda a explicar a revisão.
Mesmo com a inflação mais alta, os analistas esperam juros menores. A previsão para a Selic no fim do ano caiu de 13,50% para 13,25%. Hoje a taxa está em 13,75%, e os analistas preveem novos cortes até dezembro. Para 2027, a Selic segue projetada em 12%. Juros em queda tendem a baratear o crédito, mas a inflação acima da meta pode tornar o Banco Central mais cauteloso, e essa é a tensão do momento.
Sobre o crescimento, o quadro é estável e fraco. O PIB de 2026 ficou em 1,85% e o de 2027 em 1,40%, ambos sem mudança. Para 2028, a projeção subiu levemente, de 1,81% para 1,83%. Ou seja, ninguém espera uma aceleração da economia no curto prazo. Já o dólar ficou mais barato nas projeções: as estimativas para o câmbio recuaram em três dos quatro anos apresentados no relatório.
O que o dado revela é um mercado que vê preços subindo mais, mas ainda aposta que o Banco Central continuará reduzindo os juros, ainda que aos poucos. O risco é a inflação de curto prazo atrapalhar esse ritmo. Vale lembrar que o Focus mostra expectativas, não resultados. A inflação efetiva é calculada pelo IBGE.
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